Carros elétricos entram na mira do crime organizado e recargas clandestinas preocupam autoridades no Rio

Carros elétricos entram na mira do crime organizado e recargas clandestinas preocupam autoridades

A expansão da frota de carros elétricos no Rio de Janeiro passou a gerar um novo desafio para a segurança pública. Investigações recentes indicam que veículos eletrificados estão sendo incorporados à logística do crime organizado, com a criação de pontos de recarga clandestinos alimentados por gatos de energia em áreas dominadas por facções criminosas.

Operações conjuntas da Polícia Civil do Rio de Janeiro e da Polícia Militar do Rio de Janeiro identificaram estruturas improvisadas de recarga em comunidades da capital e da Baixada Fluminense, evidenciando uma nova dinâmica no roubo e uso desses veículos de alto valor.

Pontos de recarga clandestinos em comunidades dominadas pelo tráfico

Durante uma ação policial na comunidade da Vila Aliança, na Zona Oeste do Rio, agentes localizaram um ponto de recarga de carros elétricos utilizado por criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro. Segundo as autoridades, os veículos abastecidos no local eram roubados ou furtados, e a energia utilizada vinha de ligações ilegais na rede elétrica.

Casos semelhantes já foram identificados em favelas do Complexo da Maré, além dos complexos da Penha, Alemão e Chapadão, áreas sob influência de diferentes facções. O uso da energia desviada elimina custos operacionais e reduz a exposição dos criminosos, que deixam de frequentar postos de combustíveis.

Por que os carros elétricos se tornaram alvo do crime?

Além do alto valor de mercado e da demanda por peças, os carros elétricos oferecem uma vantagem estratégica: podem ser recarregados em qualquer ponto com acesso à rede elétrica, inclusive por meio de ligações clandestinas.

De acordo com o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, delegacias já registram aumento nos roubos desse tipo de veículo. Em uma operação anterior, em 2023, foi encontrado um wallbox residencial instalado ilegalmente em uma comunidade da Penha, utilizado para recarregar veículos avaliados em mais de R$ 200 mil.

Aumento das ocorrências acompanha crescimento da frota elétrica

O avanço desse tipo de crime está diretamente ligado ao crescimento das vendas de veículos elétricos no estado. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico indicam que, em 2024, 12.754 carros elétricos foram vendidos no Rio de Janeiro. No ano seguinte, o número saltou para 20.262 unidades, um crescimento de quase 60%.

Além disso, investigações apontam que recentes operações policiais em áreas dominadas por facções resultaram em retaliações, com aumento geral nos roubos de veículos, incluindo os modelos elétricos.

Baixada Fluminense concentra parte significativa dos crimes

Relatórios internos da Polícia Civil mostram que, com base em dados de uma única marca de carro elétrico, 54 ocorrências foram registradas na Baixada Fluminense ao longo do último ano. Desse total, 13 aconteceram em Duque de Caxias, município que lidera o ranking de roubos de veículos no estado.

Como resposta, ações como a Operação Torniquete, realizada diariamente, passaram a focar ainda mais nos municípios da Baixada, onde a incidência desses crimes é maior.

Uso irregular da rede elétrica entra no radar das concessionárias

Em nota, a Light informou que atua em parceria com as forças de segurança para combater fraudes na rede elétrica. A concessionária confirmou que já identificou o uso indevido da rede para recarga de carros elétricos e avalia novas estratégias técnicas e operacionais para conter esse tipo de irregularidade.

gato para carregar carro eeletrico

Impactos e riscos da recarga clandestina

Além do prejuízo financeiro, a recarga ilegal representa risco de incêndios, sobrecarga da rede e acidentes elétricos, colocando moradores das comunidades em perigo. Especialistas alertam que instalações improvisadas, sem qualquer padrão técnico, podem causar falhas graves na infraestrutura elétrica local.

Perguntas Frequentes sobre roubos de carros elétricos (FAQ)

Carros elétricos estão sendo mais roubados que carros comuns?

Ainda representam uma parcela menor do total, mas os roubos vêm crescendo rapidamente com a expansão da frota.

Como funciona a recarga clandestina de carros elétricos?

Criminosos fazem ligações ilegais na rede pública e conectam os veículos diretamente a postes ou instalações improvisadas.

O roubo de carros elétricos ocorre apenas no Rio de Janeiro?

Não. O problema tende a crescer em grandes centros urbanos à medida que o número desses veículos aumenta.

A recarga ilegal pode causar acidentes?

Sim. Gatos de energia podem provocar incêndios, choques elétricos e danos à rede pública.

O que está sendo feito para combater esse tipo de crime?

Ações integradas entre polícia, concessionárias de energia e uso de operações contínuas estão no foco das autoridades.

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