Enquanto o Brasil recicla apenas 1,5% dos veículos fora de circulação, a Renova Ecopeças, empresa do Grupo Porto, opera em um nível comparável ao de países como Estados Unidos e Japão, que chegam a reaproveitar até 95% dos carros. Com mais de 30 mil veículos desmontados e 1 milhão de peças reaproveitadas, a Renova se consolidou como a maior operação de reciclagem automotiva da América Latina, oferecendo peças até 60% mais baratas e contribuindo diretamente para a redução da pegada de carbono do setor automotivo.
Do sinistro à sustentabilidade: o ciclo de reaproveitamento
Quando um veículo segurado sofre perda total, ele passa a ser responsabilidade da seguradora. Na Renova, esse carro é totalmente desmontado e cada componente é analisado com foco no reaproveitamento e reciclagem de materiais.
Segundo Daniel Morroni, diretor-executivo da Porto Serviços, o processo permite reutilizar até 95% do automóvel:
- 85% das peças são reaproveitadas e revendidas;
- 10% são transformadas em novos insumos para a cadeia da reciclagem;
- apenas 5% é descartado de forma controlada e ambientalmente correta.
Esse sistema garante que aço, alumínio, plástico, vidro e borracha voltem à economia circular, reduzindo o descarte irregular e as emissões associadas à fabricação de novas peças.
Peças com até 60% de desconto e rastreabilidade total
As peças recondicionadas da Renova chegam ao consumidor com até 60% de desconto em relação às novas. O segredo está na precificação inteligente, que combina tecnologia e análise de mercado para equilibrar competitividade e rentabilidade.
Cada item passa por um rigoroso controle de qualidade e recebe um selo de rastreabilidade com QR Code, permitindo identificar a origem do material e do veículo de onde ele foi retirado. Essa transparência é resultado direto da Lei do Desmonte, que regula a desmontagem automotiva no país e assegura que apenas empresas certificadas possam atuar no setor.
Impacto ambiental e economia circular
De acordo com Viviane Pereira, gerente de Sustentabilidade da Porto, a Renova é um exemplo prático da economia circular aplicada ao setor automotivo. Ao prolongar a vida útil de componentes e reduzir a necessidade de novas matérias-primas, a operação contribui para a redução das emissões de carbono e para o cumprimento das metas ambientais da companhia até 2030.
A metodologia da Porto considera o tempo adicional de uso das peças recicladas. Por exemplo, se um motor com vida útil de 30 anos é recuperado de um carro sinistrado com 10 anos, os 20 anos restantes passam a contar como emissões evitadas pela reutilização.
Tecnologia, eficiência e expansão
O processo de reciclagem da Renova segue etapas precisas:
- Seleção e análise dos veículos sinistrados;
- Testagem de motores e câmbios em equipamentos que simulam rodagem;
- Descontaminação (remoção de óleos, gases e fluidos);
- Desmontagem completa com aproveitamento máximo das peças;
- Reciclagem de resíduos não aproveitáveis;
- Limpeza, fotografia e cadastro das peças no site de vendas.
A operação, que já envia peças para todo o Brasil, está em plena fase de expansão. A nova estrutura da Renova deve dobrar a capacidade operacional e elevar o volume de desmontagens anuais para 8 mil veículos, ampliando o estoque de 25 mil para 45 mil peças até 2025.
Do descarte à oportunidade
O avanço da Renova mostra que é possível aliar sustentabilidade, economia e inovação em um segmento tradicionalmente poluente. Com a meta de triplicar a reciclagem automotiva até 2030, a Porto aposta em um modelo que transforma sucata em valor — tanto para o consumidor quanto para o meio ambiente.
